Rumoreja a cidade, em febril movimento.
Ondeia como um rio a imensa população;
E, maculando o olhar azul do firmamento,
Erguem-se as chaminés, golfejando fumaça.
Estende-se o comércio, em soberbo incremento;
Circula como um sangue a riqueza na praça;
E, numa rapidez superior à do vento,
Os prelos dão à luz e o trem de ferro passa...
E, enquanto o poviléu rola de rua em rua,
Onde o luxo se ostenta e a vida tumultua,
Eu mergulho no sonho e na contemplação.
E, na sua modéstia e na sua roupeta,
De repente me surge a figura de Anchieta,
Melancolicamente apoiada a um bordão...
(In: Panorama da Poesia Brasileira. Rio de Janeiro: Fernando Góes, 1960. p. 95.)
Nenhum comentário:
Postar um comentário